quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Análise do debate da TV Santa Cecília e sugestões; momento de lucidez de Odílio



Gostaria de parabenizar o pessoal da TV Santa Cecilia  pelo debate. Foi bem organizado, não houve baixarias, tudo transcorreu bem, o sinal da web foi perfeito.

Apenas lamento o formato do debate.

Os organizadores tentaram copiar ipsis litteris o debate dos presidenciáveis da Globo.

Isso engessou o debate e os candidatos não conseguiram mostrar seus projetos.

Vou fazer uma breve análise do que eu vi.

Vi um candidato da situação, Nabil,  tentando, ora se desvencilhar de Odílio-LAOR, e ora tentando mostrar que a continuidade é benéfica ao clube. Como previmos, uma hora ele iria tocar no nome do tal Celso Loducca, como é costume dos roxos. Sei lá quem é esse cidadão, mas é ídolo de todos os roxos. Será que não tem outro publicitário? O candidato menosprezou o trabalho do Peres à frente do G4. Não sabia sequer o que foi orçado pelos seus amigos e parceiros roxos. Perdeu muitos pontos. Dizer que o Santos vai bem? É brincadeira! Ele teria ido melhor se tivesse atacado a pior administração da história do clube. Parece não ter a menor chance nesta eleição: receberá os votos do bolsa-família, aqueles remunerados que compõem o cabide de emprego, aquela turma que se locupleta do clube.

Rollo foi melhor que Nabil: disse, com todas as letras, que essa é a pior administração da história do clube, o que este blog não se cansa de dizer todos os dias. Este candidato conhece bem o clube, mas é extremamente inexperiente, não tem noção de administração, e, às vezes, parece meio espontâneo demais, isto é, parece meio "porra-louca" (desculpem pelo termo, não é pejorativo, tenho máximo respeito por ele e por todos). Mas parece que pode tomar atitudes impensadas e à qualquer momento tomar decisões intempestivas que podem custar caro ao clube. Disse que vai brigar com a Globo. Não é por aí. Não tem essa de brigar com ninguém. O Santos não está em condição de brigar com ninguém. Tem é que dialogar. Tem é que mostrar, demonstrar, provar, mas não à fórceps, na porrada, na força bruta. Presidente tem que ter diplomacia, antes de tudo; tem que ter muito bom senso, serenidade, calma, sabedoria. Não é o caso desse senhor que parece mais um torcedor de arquibancada. Vai ser bastante votado, mas se vencer será uma lástima para o Santos FC e poderá resultar em fechamento do clube.

Fernando Silva não passa boa impressão. Passa a impressão de ditador, de caudilho, centralizador. Passa a impressão de se achar "o cara". E não é. Aliás, seu histórico no futebol é ruim. No Santos fez dezenas e dezenas de contratações esdrúxulas. Ele citou que Damião foi a pior contratação que o Santos realizou em sua história. Eu vou além: é a pior contratação da história de todos os clubes brasileiros, não pelo jogador em si, mas pelo custo-benefício; pela fortuna inexplicável paga - uma marca que nunca sairá da história do clube. Mas ele próprio fez contratações parecidas. Ou não foi ele quem trouxe Patito por 8 milhões? Não foi ele quem trouxe Possebon, Rodriguinho, Moisés, Roger Gaúcho, Leandro Silva, Maranhão, a baciada de Campinas (vários da Ponte e vários do Guarani)? Ele não tem moral para criticar os roxos pois faz parte deles. É um roxo que foi demitido. Parece ser o candidato que mais precisa do clube. Tem passagens desastrosas por clubes, como o Santa Cruz, conduzido à quarta divisão em sua gestão. Parece não ter chance nesta eleição.

Modesto Roma Júnior: juro como fiquei com pena dele. Polido, educado, calmo, e só. Enrolou-se todo quando foi perguntado sobre o CEO e o salário de 1 milhão de reais anuais. Tentou negar mas não convenceu. Achei o candidato fraco demais. Vai receber muitos votos do pessoal do Marcelo. Se vencer, todos já sabem o que acontecerá. Não acredito que tenha maiores chances nesta eleição.

Peres: mostrou ser o mais preparado. Foi o mais prejudicado pelo formato do debate pois é um candidato com muitos projetos e planos para o clube, mas que ficou engessado. Achei que ele começou mal o debate insistindo nessa história de que não é candidato à reeleição. Nós, santistas, ficamos com um pé atrás com essa afirmação: e se ele vencer e fizer uma administração exemplar? Vai entregar o clube para ser de novo destruído? Três anos é muito pouco para resgatar o Santos do estado falimentar que está. Serão necessários, no mínimo, seis anos de uma administração excelente para tirar o Santos do abismo que essa turma nos meteu. O Peres tem que entender que nos dois primeiros anos ele só vai apagar incêndio. Vai ter que renegociar contratos, vai ter que renegociar as dívidas, cuidar dos contratos de jogadores que vão sair e outros que vão chegar, vai ter que montar um time competitivo com poucos recursos, vai ter que se virar com a cambada herdada (os roxos herdaram um time com Neymar e Ganso e vão entregar Neto, Mena, Damião, etc.. e mais 430 roxinhos remunerados - e muitos deverão espernear e entrar com processos trabalhistas contra o clube). Os dois primeiros anos serão dificílimos. Não se pode prever que em três anos o clube esteja pronto para ser o número 1 do Brasil, como queremos. Queremos arena! Mas não podemos nem pensar nisso no momento. Primeiro temos que tirar o Santos dessa situação de 11o. clube do futebol brasileiro, de 30o. clube em rendas. Temos que acabar com os medalhões. Contratar uma comissão técnica. Renegociar pagamentos com todo mundo. Acredito que o Peres tenha que rever essa posição sua sobre reeleição. O Santos precisa se modernizar como clube, urgentemente. O Santos tem que ser administrado como uma empresa.

Peres mostrou-se sóbrio, pés-no-chão. Tem ótimo trânsito junto à FPF e CBF. 
Peres é um diplomata, e sabe que vai precisar do apoio dos  clubes grandes de São Paulo para recolocar o Santos no lugar que estava quando essa gente desembarcou na Vila em 2010. 

Os roxinhos arrependidos estão tendo agora uma ideia do mal que fizeram ao clube. Como será difícil tirar o clube de dentro desse abismo! Estão tendo uma ideia só agora do que significou cinco anos da mais danosa administração da história do clube.

Vamos precisar da diplomacia, educação, serenidade, experiência, capacidade organizacional do Peres. Não temos saída. E Peres demonstrou humildade ao dizer que se vencer pegará o que cada candidato tem de melhor para ajudar a resgatar o clube. Vai fazer uma administração dialogando com a oposição. Mas a oposição santista, e não a seita roxa que não serve para nada. 

A situação do clube é caótica. Peres ainda não sabe o que encontrará pela frente. Mas eu adianto: vai encontrar um cofre vazio e muitas, mas muitas dívidas de curto prazo estourando. Peres vai precisar sentar-se com o pessoal da FPF, que ele conhece como ninguém, e pedir ajuda. Vai precisar sentar-se com a Globo e renegociar. Vai precisar de apoio dos clubes de São Paulo, que tem interesse na existência do Santos. Enfim, embora engessado e sem poder mostrar seus projetos, Peres é nossa única saída.

Estimo que vamos precisar de 30 milhões de reais para iniciar o trabalho, e isso inclui o enxugamento do setor administrativo. Não podemos ter mais que 80 funcionários na administração do clube. Funcionários certos, do mercado de trabalho, no lugar certo, profissionais e não amadores amigos do rei. Precisamos reduzir nossa folha de pagamento total pela metade, não podendo ultrapassar 5 milhões mensais. 

Para mim o mais importante de tudo é a estrutura do clube: o Santos sempre foi um clube de futebol que vive de times sazonais, altamente dependente de jogadores talentosos para conquistar campeonatos. Isso porque a estrutura do clube é fraca. Um clube forte torna-se independente do surgimento de Pelé, Neymar, Robinho e Diego. Isso está cada vez mais difícil de acontecer. Tivemos muitas chances, tivemos os melhores jogadores de futebol do mundo, mas não temos nem perspectiva disso acontecer de novo nas próximas décadas. E clubes fortes montam e mantém times fortes. O Internacional é um exemplo. Hoje este clube tem uma das arenas mais lindas do mundo; tem mais de 100 mil sócios; não pode investir como deveria ter investido nos últimos dois anos no time, mas vejam que está sempre no G4. E a tendência é se tornar o melhor time de futebol do Brasil, um modelo a ser seguido.

E Peres terá que inovar: investir em áreas onde ninguém dá atenção. Trazer talentos em várias áreas do conhecimento para o clube e ir buscar jovens talentos da bola para o time. Chega de medalhões! Teremos que ser mais criativos que todo mundo. Teremos que ser benchmarking. Teremos que ser copiados. Teremos que ser referência. Só assim se consegue ser líder.

Trazer um técnico e pedir para ele montar um time é voltar 20-30 anos no tempo. Isso não funciona. Este é o pior tipo de administração que um clube de futebol pode ter. O Palmeiras é exemplo disso. Trouxe um técnico argentino que encheu o clube de jogadores argentinos, e nenhum está sendo utilizado, um desperdício, e o time corre sérios riscos de cair. Depois foi buscar um dos maiores enganadores do futebol brasileiro para resolver o problema, aquele cidadão que quase perdeu a final do Paulista para o Santo André (ah! se não fosse o juiz) por causa de sua estupidez (depois Osvaldo Oliveira, o técnico do promotor, conseguiu a façanha diante do Ituano). O clube é que tem que contratar os jogadores, e não o técnico. O clube é que tem que dizer como o time tem que jogar. E isso tem que virar um conceito, um modelo, que tem que ser aplicado em todas as categorias do clube, de fraldinhas aos profissionais. Isso faz com que o clube sempre tenha reposição vinda de baixo, sem alterar a forma de jogar. 

Por último o clube tem que observar que o esporte hoje está atrelado à ciência. Temos que usar modelos, métodos e conceitos  científicos para  melhorar o desempenho do atleta. O mesmo se aplica ao clube: gestão profissional, com métodos e ferramentas de gestão modernas. Quem não mede, não sabe. E o Santos nunca mediu. Parece aquele jogador de futebol que ganhou fortunas na carreira e quando vê, aos 40 anos, não tem mais nada, está na miséria.

Odílio: lucidez na saída
Trecho de A Tribuna, por Michael Santos
(...) o atual presidente (Odílio) comentou recentes declarações de Luis Alvaro. O antigo mandatário disse que já tinha aparado as arestas com Odílio e que até o chamaria para "tomar um porre". O dirigente negou a reconciliação.
"Falei (por telefone) que é fácil ficar em Pinheiros (bairro paulistano) fazendo críticas. Duro é andar no meio da Cidade, prestando contas. Então, liguei, dizendo que discordava. O Luis Álvaro disse que tomaríamos um porre, mas eu nem bebo. Socialmente, aceito encontrá-lo para jantar, conversar. Mas quero deixar claro que liguei para dizer que não aceitava suas críticas. Estou o corrigindo o que ele disse".
O presidente também cutucou seu antecessor. "Quem pediu voto não renuncia, cumpre em momentos bons e não tão bons. É coerência. Não aceito as incoerências do Luis Álvaro. Um presidente com discurso ufanista quando o Santos criava e quando não cabia mais criou incômodos. Temos que ter os pés nos chão, um clube é feito de conquistas e derrotas".
Momento de lucidez de Odílio.


3 comentários:

  1. Sempre critiquei este blog, li algumas vezes e comentei aqui criticando você ou vocês não sei, a avaliação feita por você(s) das necessidades do Santos são, na minha opinião, as necessárias para que realmente o clube se torne o que nós Santistas esperamos há muito tempo, um clube estruturado e organizado, forte esportiva e administrativamente, organizado dentro e fora do campo, com um grande quadro associado, um clube não seja escravo de receitas vindas de patrocinio master e outros, cotas de televisão, etc.., que tornam o clube escravo de fatores externos, que seja sustentável, que tenha no seu estilo de jogo(que é o que o tornou conhecido no mundo)um diferencial com relação aos seus rivais, que saiba aproveitar seus crauqes históricos em estratégias promocionais que viabilizem o fortalecimento da marca, que sua história seja respeitada, que seus dirigentes tenham força política, conquistada através da independência financeira para tratar de adequações da Lei Pelé, enfim , parabéns por este post, tomara o José Carlos Peres seja eleito e também concordo que três anos é muito pouco para conseguir deixar uma estruturação que perdure.

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  2. Jair Sergio de Moraes3 de dezembro de 2014 14:29

    Aliás meu nome é Jair Sergio mas não consegui divulgar meu nome ao publicar.

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  3. PERES VENCEU EM 3 ENQUETES DE QUEM FOI MELHOR NO DEBATE:

    NO PORTAL TERRA, NO SANTAPORTAL E NO LANCENET!

    AGORA É HORA DO TUDO OU NADA NO DIA 06, SÁBADO!

    PERES PRA PRESIDENTE!

    VIVA CHAPA 1 SANTOS VIVO!

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